A Universidade do Alabama carrega o peso das próprias origens desde sua fundação, em 1831. Erguida por três ex-políticos do estado, a instituição nasceu cercada por luxo, ambição e dinheiro antigo. Os prédios de arquitetura clássica dominaram o campus antes mesmo que existissem alunos andando pelos corredores, como se a universidade tivesse sido feita para pertencer a elite muito antes de realmente ser.Com o passar dos anos, a Alabama se tornou uma das universidades mais cobiçadas do país. Em 1857, criou seu próprio vestibular para admissão e abriu programas de bolsas esportivas que atraíram atletas de todos os cantos dos Estados Unidos. O nome da Crimson Tide cresceu rápido, levando jogadores para as maiores ligas americanas, da NFL à NHL. Dentro dos campos, quadras e ginásios, nasceram as maiores lendas dos esportes. Mas prestígio demais sempre cobra algum preço.A partir dos anos 90, os atletas da Alabama começaram a viver sob uma onde de terror. Mensagens anônimas surgiam nos dormitórios, ameaças apareciam nos armários e rumores corriam pelos corredores durante a madrugada. O ódio contra os privilégios dados aos atletas crescia dentro do campus como se fosse uma doença. Então, veio o maldito ano de 1995.Josh McKellen, quarterback titular do time de futebol americano, foi encontrado morto em seu dormitório. A universidade divulgou overdose como causa oficial do óbito, alegando o uso de uma nova droga sintética. O caso virou manchete nacional já que McKellen era um dos nomes mais promissores para a loteria do draft daquele ano, mas isso acabou abafado poucas semanas depois.Anos mais tarde, a perícia confirmou o que muitos suspeitavam desde o início: Josh foi assassinado. Seu remédio para depressão havia sido adulterado com a droga KL3.Depois da morte de Josh, o medo tomou conta da universidade. Nos anos seguintes, outros atletas apareceram mortos, principalmente líderes de torcida com a característica semelhante de todos os ossos terem sido quebrados. Alguns outros corpos nunca foram encontrados inteiros. Outros pareciam ter sido desmembrados propositalmente para serem montados como um mapa do tesouro. O campus inteiro afundou em paranoia. Ninguém confiava em ninguém, o assassino poderia ser um deles.



Em 2003, após pressão das famílias das vítimas e uma onda de protestos, a Universidade do Alabama foi fechada para investigação policial e reforma. Treze professores foram presos sob suspeita de enviarem ameaças aos atletas antes das mortes. Todos negaram envolvimento até o final, mas ainda assim foram levados sob custódia. O caso nunca foi totalmente encerrado.A universidade permaneceu anos tentando apagar o próprio passado. Somente em 2009, a Alabama reabriu os portões com uma nova administração. Sob o comando da reitora Smith, o campus passou a vender uma nova imagem: excelência acadêmica, disciplina e prestígio. Durante dezessete anos, o silêncio ajudou a esconder tudo o que aconteceu ali. Ou pelo menos foi isso que fizeram os alunos acreditarem. Porque o medo não desaparece. Só espera para voltar mais forte.Agora, depois de quase duas décadas, algo voltou a rondar os corredores da Alabama. Chamando a si mesmo de Slasher, a nova ameaça se esconde atrás de um capacete de futebol americano e veste as cores da universidade como um patriota orgulhoso. Em uma conta anônima, ele publica ameaças, jogos psicológicos e mensagens direcionadas aos estudantes, principalmente aos atletas, a “carne fresca”, como gosta de chamá-los.E enquanto o campus tenta fingir que tudo está sob controle, corpos e rachaduras começam a aparecer outra vez. Sejam bem-vindos à Alabama. Vai ser um ano de matar.
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